terça-feira, 19 de abril de 2011

O ato do Vibrato

Por incrível que pareça já me deparei com professores que ensinam o Vibrato de forma equivocada. Aqui no Violoncelos de Maceió vamos tentar dar um basta em algumas dúvidas sobre Vibrato.

Vibrato é um termo italiano usado para uma técnica de instrumentos de cordas e sopros que, no caso do Violoncelo, faz as cordas vibrarem, tornando o som da nota musical oscilante entre micro afinações que causa um efeito expressivo.

Nessa postagem iremos analisar essa técnica. Observar minuciosamente os detalhes que diferem um Vibrato verdadeiro do falso. Onde e como aplicar a técnica sem haver desgastes desnecessários para o violoncelista.

Primeiramente, é necessário que conheçamos o nosso corpo muito bem, como funcionam nossas articulações, nossos limites ou até mesmo nossas vantagens, em alguns casos. Sempre procure ajuda junto a algum fisioterapeuta ou educador físico sério para essas questões.

Após conhecer-se melhor é hora de sentar ao Violoncelo e analisar o Vibrato.

O que está correto e o que está errado?

Vejamos alguns pontos a serem considerados:

· Se o seu Vibrato está começando no seu Pulso (articulação da mão) ou nos Dedos está errado. Vibrar uma corda não é como abrir a maçaneta da porta. Isso causará fadiga nessa região do seu corpo, sem contar que o som não sairá bonito do seu Vibrato, terá uma tensão desapropriada. Não terá um som natural. Esse Vibrato é conhecido como “Vibrato de pulso”, e não é correto. Não utilize;

· O Vibrato verdadeiro tem origem no Ombro. O Ombro deve ser a única parte ativa do movimento, é a articulação operacional. Os dedos, a mão (pulso), o antebraço (cotovelo) tem movimentos naturais ou passivos, ou seja, essas articulações não se movem intencionalmente;

· Para ser mais claro: mantenha a posição do braço como uma placa de sinalização de trânsito “Vire à direita”, mas não levante muito alto o cotovelo. O movimento é como o bater das “Asas da galinha”. Os movimentos devem ser o mais natural possível. Lembre-se sempre que o Ombro é o gerador de todos os movimentos, e de Sustentar a coluna vertebral ereta;

· Você pode começar alisando a corda em toda sua extensão para observar que o movimento ativo realmente começa pelo ombro; logo após vá diminuindo essa extensão até uma nota (recomendo inicialmente a nota Fá na corda Ré, dedo 2) e concentre as dicas anteriores;

· No arco: tente percorrê-lo lentamente, porém o indicador pressionando em supinação; em notas mais longas, deixe-o correr primeiro antes e depois aplique a técnica de Vibrato, ou seja, o Vibrato começa naturalmente pelo arco, após isso é que seu ombro se mexe;

· Somente após se sentir confortável em um estudo você avançará para outro;

· Procure mais informações junto a um professor de Violoncelo;

· Peça para corrigir seus movimentos e postura corporal;

· Estude de fronte a um espelho para fazer um exercício de auto-observação.

Bons estudos!

*Imagem ilustrativa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Improvisação no Violoncelo

Olá caríssimos violoncelistas, como de costume venho utilizando o blog Violoncelos de Maceió para compartilhar ideias, dicas de estudos e informações que podem luzir um ciclo crescente na troca humana do dia a dia do nosso instrumento que amamos: o Violoncelo.

Para tanto, vejo entre meus colegas das orquestras e dos conservatórios aqui em Maceió/AL um interesse gradativo pela arte da improvisação. Isso me chama atenção por justamente os estudos nesse instrumento, hoje em dia, não primarem por esse assunto, resumindo-se apenas em técnicas específicas ou pelo estudo de peças de compositores imortais, assim o estudo do violoncelo ficando, em minha visão, incompleta, pois todos os instrumentos musicais são ótimos para instigar nossa capacidade de criação, de liberdade, de auto-expressão, de improvisar.

Edgar Willems em seu livro As bases psicológicas da educação musical afirma no capítulo relacionado à criação musical que “os cursos de harmonia, que os alunos seguem por vezes por simples obrigação, para obter um diploma, e que são necessários para se poder analisar as peças de música, deveriam normalmente preparar os alunos para a composição (...) como de resto de improvisar (...) Não é o resultado visível que importa, mas sim a possibilidade de criar e, portanto, de poder beber nas fontes vivas da natureza humana.” (p. 181).

Ao se falar de improviso logo remete aos músicos o Jazz, já que sua essência está contida no livre caminhar das melodias e no poder de composição instantânea dos instrumentistas. Mas, há quem não goste de Jazz, porém pergunto eu: Será que a arte da improvisação só acontece no Jazz? A resposta que afirmo é negativa, caros colegas celistas. Podemos improvisar em todos os gêneros musicais, basta ter boa vontade e um pouco de criatividade. Lembrem-se dos antigos músicos, Mozart e Beethoven eram grandes virtuoses nessa arte. Se você pensa que o estudo formal do Violoncelo não consiste improvisar comece a refletir sobre seus horizontes e veja o alagoano Hermeto Pascoal, o carioca Nelson Faria, entre tantos outros.

Dicas para iniciar estudos de improvisação:

  1. Estude harmonia tonal: Os livros de Paul Hindemith (Curso Condensado de Harmonia Tradicional) e Arnold Schoenberg (Harmonia) são bem informativos nessa matéria;
  2. Leia livros de improvisação, e assuntos como Campo Harmônico e as Escalas Gregas ajudarão bastante: Escalas para improvisação de Luciano Alves, A arte da improvisação para todos os instrumentos de Nelson Faria, Arranjo Método Prático de Ian Guest Editado por Almir Chediak, entre outros, são apropriados;
  3. Planeje uma seqüência harmônica que contenha uma cadência com funções fundamental, subdominante e dominante, por exemplo: C, Am, F, G;
  4. Construa arpejos simples dos acordes planejados (uma nota por tempo, semínimas);
  5. Utilize divisões nos tempos, variando ritmicamente (colcheas, semicolcheias, etc);
  6. Troque a nota do último tempo por uma sensível ao próximo acorde;
  7. Arpeje utilizando inversões dos acordes de primeira e/ou segunda ordem;
  8. Pratique tudo isso em oitavas diferentes;
  9. Crie um motivo ornamental;
  10. Empregue sua técnica tradicional violoncelística na arte da improvisação.

Mais um trecho de Willems para você:

“Um das chaves da criação, ou da recriação, é o amor pela música e o desejo intenso de a realizar. Este amor pela música e o desejo devem ser despertados e cultivados no aluno, a fim de que seu desenvolvimento musical se faça segundo as leis da vida humana e musical.” (p. 185).

Boas improvisações violoncelísticas a partir de agora!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mulhercello

Mesmo, não há como não pensar na delicadeza

da mulher ao tocar um violoncelo

no toque firme e suave, ao escorrer os meus dedos

no pulsar do coração, na busca desse elo

no aperto suave do encaixe entre minhas pernas

devagar, sussurrando baixinho

as melódicas arcadas

tão próximo ao sexo

a sensação de satisfação das sonatas exaladas

dos cabelos, que as vezes longo, ao encordoamento – um salto

alisados com o meu arco firme

que extrai do som (textura) da mulher

a luz

da beleza do violoncelo.

Felipe Brandão.

Uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher - 08 de Março.

Imagem: Alexander Kharlamov.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Saúde aos Violoncelistas!

Olá amantes do Violoncelo. Essa matéria nasceu de uma pergunta enviada por Sheila ao comentar sobre a postagem “As lesões nos músicos”. Ela nos trouxe a questão das artroses em seu depoimento informando que tem uma em seu dedo mínimo esquerdo nos perguntando se conseguiria estudar Violoncelo, sua paixão, com esse tipo de lesão.

O “Violoncelos de Maceió” foi buscar ajuda a resposta junto ao Dr. Antonio Augusto de Arruda Silveira Junior Especialista em Clínica Médica e Cardiologia e Pós-Graduado em Geriatria e Exercícios Físicos no Envelhecimento pela Faculdade de Medicina da USP. Médico responsável pelo Instituto Lyon de Curitiba, como também em sites sobre o tema para melhores informações. Aqui está a reunião de informações diversas encontradas para melhor orientar os colegas violoncelistas a cuidarem de sua saúde. Boa leitura!

O que é Artrose?

A artrose (artrite degenerativa, doença degenerativa das articulações) é uma perturbação crônica das articulações caracterizada pela degenerescência da cartilagem e do osso adjacente, que pode causar dor articular e rigidez.

As articulações têm um nível tão pequeno de fricção que não se desgastam, salvo se forem excessivamente utilizadas ou danificadas.

É provável que a artrose se inicie com uma anomalia das células que sintetizam os componentes da cartilagem, como o colágeno (uma proteína resistente e fibrosa do tecido conjuntivo) e os proteoglicanos (substâncias que dão elasticidade à cartilagem).

A cartilagem pode crescer demasiado, mas finalmente torna-se mais fina e surgem gretas na sua superfície. Formam-se cavidades diminutas que enfraquecem a medula do osso, debaixo da cartilagem. Pode haver um crescimento excessivo do osso nos bordos da articulação, formando tumefações (osteófitos) que podem ver-se e sentir-se ao tato. Estas tumefações podem interferir no funcionamento normal da articulação e causar dor.

Por fim, a superfície lisa e regular da cartilagem torna-se áspera e esburacada, impedindo que a articulação se possa mover com facilidade. Produz-se uma alteração da articulação pela deterioração de todos os seus componentes, quer dizer, o osso, a cápsula articular (tecidos que envolvem algumas articulações), a membrana sinovial (tecido que reveste a articulação), os tendões e a cartilagem.

Artrose é o mesmo que artrite?

"A artrite é uma doença inflamatória que pode afetar várias articulações ao mesmo tempo, por isso denomina-se poliartrite. Não está vinculada com a idade, pois pode aparecer na juventude", explica a especialista.

Existem distintos tipos de artrite, uma delas é a artrite reumatóide. Esta enfermidade compromete o estado geral da pessoa, produzindo abatimento, cansaço e perda de peso. Ademais produz inflamação, tumefação e avermelhamento da articulação. A dor é contínua em repouso e a pessoa levanta-se com muita dor e rigidez.

A artrose, ao contrário, apresenta uma dor mecânica que sente-se depois de utilizar a articulação. Geralmente é uma dor vespertina e alivia-se com o repouso. A pessoa pode levantar-se dolorida e sentir um pouco de rigidez, o que dificulta-lhe o início do movimento. Porém, em alguns minutos a rigidez desaparece e a pessoa pode movimentar-se normalmente.

A artrose diferencia-se da artrite reumatóide pelo comprometimento do estado geral. E também existem pessoas assíntomas, mas o médico pode detectar a artrose em uma radiografia. Isto mostra, entre outras coisas, que o espaço ocupado pela cartilagem é menor que o habitual porque esta está deteriorada. Dado que a cartilagem cumpre a função de amortecer a pressão e o atrito entre os ossos, ao deteriorar-se, os ossos se tocam e se desgastam.

Existem duas classificações da artrose:

Primária (idiopática), quando a causa é desconhecida, e

Secundária, quando a causa é outra doença, como a de Paget, uma infecção, uma deformidade, uma ferida ou o uso excessivo da articulação.

São especialmente vulneráveis os indivíduos que forçam as suas articulações de forma reiterada, como os músicos, operários de uma fundição ou de uma mina de carvão e os condutores de autocarros. Contudo, os corredores profissionais de maratona não têm um maior risco de desenvolvimento desta perturbação. Embora não exista uma evidência concludente a esse respeito, é possível que a obesidade seja um fator importante no desenvolvimento da artrose.

Tratamento:

Tanto os exercícios de estiramento como os de fortalecimento e de postura são adequados para manter as cartilagens em bom estado, aumentar a mobilidade de uma articulação e reforçar os músculos circundantes de maneira que possam amortecer melhor os impactos. O exercício deve ser compensado com o repouso das articulações dolorosas; contudo, a imobilização de uma articulação tende mais a agravar a artrose do que a melhorá-la.

Os sintomas pioram com o uso de cadeiras, reclinadores, colchões e assentos de automóvel demasiado moles. Recomenda-se o uso de cadeiras com costas direitas, colchões duros ou estrados de madeira por baixo do colchão. Os exercícios específicos para a artrose da coluna vertebral podem ser úteis; contudo, são necessários suportes ortopédicos para as costas em caso de problemas graves. É importante manter as atividades diárias habituais, desempenhar um papel ativo e independente dentro da família e continuar a trabalhar.

Também são úteis a fisioterapia e o tratamento com calor local. Para aliviar a dor dos dedos é recomendável, por exemplo, aquecer cera de parafina misturada com óleo mineral a uma temperatura de 48ÞC a 51ÞC, para depois molhar os dedos, ou tomar banhos mornos ou quentes. As talas ou suportes podem proteger articulações específicas durante atividades que gerem dor.

Quando a artrose afeta o pescoço, podem ser úteis as massagens realizadas por terapeutas profissionais, a tração e a aplicação de calor intenso com diatermia ou ultra-sons.

Os medicamentos são o aspecto menos importante do programa global de tratamento. Um analgésio como o paracetamol (acetaminofeno) pode ser suficiente. Um anti-inflamatório não esteróide como a aspirina ou o ibuprofeno pode diminuir a dor e a inflamação. Se uma articulação se inflama, incha e provoca dor repentinamente, os corticosteróides podem ser diretamente injetados nela, embora isto só possa proporcionar alívio a curto prazo.

A cirurgia pode ser útil quando a dor persiste apesar dos outros tratamentos.

Algumas articulações, sobretudo a anca e o joelho, podem ser substituídas por uma artificial (prótese) que, em geral, dá bons resultados: melhora a mobilidade e o funcionamento na maioria dos casos e diminui a dor de forma notória. Portanto, quando o movimento se vê limitado, pode considerar-se a possibilidade de uma prótese da articulação.

Palavras do Dr. Antonio:

- A osteoartrose ou osteoartrite, popularmente conhecida como artrose, é uma doença osteomuscular que acarreta sérias dificuldades na vida diária dos pacientes, pois gera numerosas incapacidades que não só afetam o seu estado de saúde, como também apresentam uma série de implicações psicossociais, ocupacionais e familiares.

Essa doença carrega sobre si o mito de não ter tratamento, fazendo com que os portadores dessa patologia padeçam sem a atenção médica devida mesmo nos dias de hoje.

Os problemas fundamentais do paciente com osteoartrite são:

1.. Dor articular

2.. Rigidez matinal

3.. Diminuição do movimento articular

4.. Perda da função articular

5.. Diminuição da força muscular

6.. Diminuição da resistência muscular

7.. Mau alinhamento articular, com deformidade articular

8.. Alteração da marcha.

Sobre a Reabilitação:

A evolução dos estudos na reabilitação da osteoartrite derrubaram alguns mitos como:

- A indicação de frio ou calor na articulação comprometida, pois não há evidências na literatura atual que proporcione bases terapêuticas desta forma de tratamento.

- Ultra-som e laser - não há evidências significativas de que tratamentos isolados de calor profundo gerem resultados, se não forem associados a exercícios e programas de reabilitação física.

Mas, sem dúvida, a grande mudança de paradigmas na reabilitação de pacientes com osteoartrite - seja para diminuir a dor ou para melhorar a amplitude do movimento articular e evitar o sobrepeso nas articulações lesionadas - foi à comprovação de que exercícios de musculação são muito superiores à hidroterapia tão amplamente usada.

Vários estudos científicos já concluídos têm demonstrado que os pacientes portadores de osteoartrite, principalmente de quadril e de joelho, apresentam melhores resultados com exercícios resistidos (musculação), quando comparados a exercícios aquáticos. Os exercícios de musculação possuem ações diretas no processo de reabilitação da osteoartrite, pois é comum observar atrofia e fraqueza dos músculos ao redor da articulação lesionada e somente a musculação pode melhorar esta atrofia.

Quatro pontos são extremamente relevantes nos exercícios de musculação:

1.. É a melhor forma de exercício para tratamento da osteoporose (os exercícios realizados na água não acarretam ganho de massa óssea, podendo inclusive diminuí-la, por se tratarem de exercícios sem o efeito da gravidade, principal fator de estimulação para ganho de massa óssea) e os pacientes portadores de osteoartrite, na grande maioria das vezes, apresentam osteoporose associada;

2.. Não requerem aptidão prévia, existindo, nos dias de hoje, aparelhos adequados para essa população geriátrica;

3.. Apresentam menores riscos cardiovasculares do que uma simples caminhada de intensidade moderada no plano, principalmente para pacientes portadores de doença cardíaca grave;

4.. Pelo incremento de força muscular, aumentam a funcionalidade, diminuem o risco de quedas e devolvem a independência de vida ao idoso, fator esse de extrema relevância para manter a sua auto-estima elevada e qualidade de vida Nos casos de osteoartrose de quadril e joelhos, quando essa não apresenta condições de reabilitação, o implante de próteses está indicado e vem demonstrando excelentes resultados, quando realizado por profissional capacitado, com material adequado e com os devidos cuidados de reabilitação pós-operatório.

Os pacientes portadores de osteoartrite devem ser sempre avaliados por um clínico ou especialista, pois ao contrário do que algumas pessoas imaginam, não existe apenas um tipo de reumatismo.

Dr. Antonio Augusto de Arruda Silveira Júnior

Instituto Lyon Curitiba.

Fones: (41) 223-0047 e 9963-7635

Fontes:

http://www.bastaclicar.com.br/noticias/noticia_mostra.asp?id=374

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/artrose/

Violoncelistas e amantes da música, nosso blog vai sendo construído juntamente com vocês. Matérias sobre a saúde dos músicos vêm sendo bastante requisitadas, e como nossa intenção é ajudar e dar boas dicas aos violoncelistas e a músicos em geral, dicas sobre saúde é primordial.

Além de seus estudos musicais, cuide da sua saúde!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Apresentação de oportunidade


Olá pessoal, apresento a todos uma das melhores referências violoncelísticas do estado de Alagoas, o cearense do Crato Zéh Rocha. Vivendo a mais de 20 anos em Maceió, Rocha tem feito uma carreira musical brilhante no cenário alagoano. É violoncelista da Orquestra de Câmara da Universidade Federal de Alagoas, onde também graduou-se em Licenciatura em Música. Entre suas brincadeiras favoritas estão em tocar Flauta Transversal, Piano e Sanfona; atua como arranjador musical no grupo Vivace in cordas, entre outros grupos do gênero.
É professor de Violoncelo no curso de extensão na faculdade CESMAC/AL. E é justamente sobre esse curso que venho divulgar... em 2011 o Zéh estará oferecendo um curso de Violoncelo no CESMAC/AL gratuito. Não percam a oportunidade. Zéh Rocha é meu amigo e colega de naipe na Orquestra da UFAL. Recomendo!

Frases do Zéh:

"O CELLO CANTA, ENCANTA E AINDA FAZ O BAIXO".

"OS FLUIDOS SONOROS DE UMA BELA MÚSICA ALIMENTA A ALMA E O ESPÍRITO. MÚSICA, DIVINA MÚSICA, MUITAS VEZES TÃO LINDA, TÃO FEMININA, COM TÃO BELAS FORMAS E NÃO PALPÁVEL, TEMOS QUE NOS CONTENTAR EM POSSUÍ LA NA SUA BELEZA DE FORMAS E FEMINILIDADE APENAS NA ARTE DE OUVIR"


Contato do Zéh Rocha: jrochateclado@hotmail.com

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Violoncelista Singular


Em agosto desse ano fui participar do Festival "Heart of Europe" na Alemanha representando o Brasil juntamente com um grupo coral, o Coretfal. Estávamos bastantes concentrados, focados no nosso trabalho e querendo nos superar para mostrar o melhor da nossa cultura para os "gringos". Nosso grupo sempre trocava mensagens de apoio entre os participantes, foi então quando recebemos um texto sobre a história verídica de um violoncelista, sei que alguns de vocês podem conhecer essa história, porém eu não poderia deixar de compartilhar, pois a achei tocante e justamente por ser especial não poderia ficar de fora do nosso Blog.

Leiam e se emocionem com a história do "Violoncelista de Saravejo".

SINGULARIDADE

"Vibramos com os feitos de nossos heróis, esquecendo que

também somos extraordinários para alguém." -

Helen Hayes.

É comum querermos ser exatamente como nossos heróis. Isso é bom se não nos fizer perder de vista a riqueza de experiências, talentos e bondade que se somam para fazer de cada um de nós uma pessoa única. Ao procurar comportamentos que dêem mais significado a nossas vidas, é importante não querer ser como os outros, mas descobrir quais são os nossos talentos especiais que podemos compartilhar com os outros.

Esse foi o caso de Vedran Smailovic, que se tornou conhecido como o violoncelista de Sarajevo. Dentro das seguras paredes de sua casa, Vedran podia sentir a devastação e os tormentos da guerra. Da janela, via pessoas vagueando desesperadas. Em tais condições, tinha todos os motivos para permanecer escondido dentro de casa. Mas, quando viu o apelo da vida, respondeu ao chamado corajosamente, exercendo o que fazia melhor.

O VIOLONCELISTA DE SARAJEVO

Por: Paul Sullivan

Como pianista, eu fora combinado a me apresentar com o violoncelista Eugen Friesen no Festival Internacional de Violoncelo em Manchester, na Inglaterra. A cada dois anos, os maiores violoncelistas do mundo e pessoas devotadas a esse despretensioso instrumento – fabricantes de arcos, colecionadores, historiadores – se encontram para uma semana de seminários, aulas magnas, congressos, recitais e festas. A cada noite, cerca de 600 participantes se reuniam para um concerto.

A apresentação da noite de abertura no Royal Northern College of Music consistia de composições criadas exclusivamente para violoncelo. No palco da magnífica sala de concertos havia apenas uma única cadeira. A atmosfera estava intensamente carregada de expectativa e concentração.

O mundialmente conhecido violoncelista Yo-Yo Ma iria se apresentar naquela noite de abril de 1994, e por trás da composição musical que ele iria tocar havia uma comovente história.

Em 27 de maio de 1942, numa Sarajevo devastada pela guerra, uma das poucas padarias que ainda tinham suprimento de farinha estava distribuindo pão para pessoas famintas e desabrigadas pela guerra. Às quatro da tarde, uma longa fila se estendia pela rua. De repente, um morteiro caiu no meio da fila, matando 22 pessoas e esparramando carne, sangue, ossos e pedras.

Não muito distante vivia um músico de 35 anos chamado Vedran Smailovic. Antes da guerra, ele tinha sido violoncelista na Ópera de Sarajevo e desenvolvera uma brilhante carreira para a qual ansiava retornar. Refugiado em seu apartamento, presenciou a carnificina e o massacre e, angustiado, resolveu doar o que tinha de melhor: seu talento para tocar música. Música pública, música ousada, música em um campo de batalha.

Nos 22 dias seguintes, Às quatro da tarde, Smailovic vestia seu fraque, pegava o violoncelo, deixava o apartamento e andava em meio ao bombardeio que ainda ocorria a seu redor. Após colocar uma cadeira de plástico ao lado da cratera que a bomba tinha aberto, ele tocava, em memória dos mortos, o Adágio de Albinoni em sol menor, uma das mais tristes e tocantes peças do repertório clássico. Tocava para as ruas desertas, para os veículos destruídos, para os prédios em chamas e para as aterrorizadas pessoas que se escondiam nos porões enquanto bombas caíam e balas sibilavam. Com paredes desmoronando em volta dele, fazia a sua inimaginável e corajosa defesa da dignidade humana, das pessoas perdidas na guerra, da civilização, da compaixão e da paz. Embora as bombas continuassem a cair, ele nunca se feriu.

Quando os jornais publicaram a história desse homem extraordinário, um compositor inglês, David Wilde, ficou tão comovido que também decidiu escrever uma composição para ser tocada exclusivamente por violoncelos. Em O violoncelista de Sarajevo, colocou seus sentimentos de amor e fraternidade por Vedran Smailovic.

Era O violoncelista de Sarajevo que Yo-Yo Ma iria tocar aquela noite. Ma entrou no palco, curvou-se para a platéia, sentou-se na cadeira e começou a tocar. A música invadiu a sala silenciosa e se espalhou, criando um universo sombrio, deserto e tocante. Lentamente, avançou para um agonizante, agudo e lancinante furor que envolveu a todos, antes de esmorecer finalmente em um estertor mortal surda para, finalmente, silenciar.

Depois de terminar, MA permaneceu curvado sobre seu violoncelo, o arco apoiado nas cordas. Ninguém se mexeu ou fez qualquer ruído na sala por um longo tempo. Era como se tivéssemos acabado de reviver aquele horrível massacre.

Finalmente, Ma olhou para a platéia e estendeu a mão, chamando uma pessoa para ir ao palco. Um indescritível choque elétrico nos atingiu quando percebemos quem era: Vedran Smailovic, o violoncelista de Sarajevo!

Smailovic levantou-se de sua cadeira e caminhou pelo corredor enquanto Ma descia do palco para recebê-lo. Quando os dois se abraçaram calorosamente, a platéia estourou em um desordenado delírio emocional – batendo palmas, gritando e ovacionando.

Em meio a tudo isso, aqueles dois homens se abraçavam e choravam sem qualquer vergonha. Yo-Yo Ma, um delicado e elegante príncipe da música clássica, impecável na aparência e no desempenho, e Vedran Smailovic, vestindo um manchado casaco de couro. Seu cabelo longo e rebelde e o enorme bigode emolduravam um rosto envelhecido encharcado de lágrimas e enrugado de dor.

Nós na platéia nos sentimos despidos de qualquer artifício, reduzidos à nossa mais total e profunda humanidade, ao encontrar esse homem que com seu violoncelo desafiou bombas, morte e ruína.

De volta ao Maine, uma semana depois, sentei-me uma noite ao piano para tocar para os idosos de um asilo local. Não pude deixar de comparar esse concerto com o esplendor que tinha testemunhado no festival. E então me vi surpreendido pelas profundas semelhanças. Com sua música, o violoncelista de Sarajevo tinha desafiado a morte e o desespero e celebrado o amor e a vida. E ali estávamos nós, um coro de vozes dissonantes acompanhadas por um piano velho fazendo a mesma coisa. Não havia bombas nem balas, mas havia dor real – perda de visão, uma solidão esmagadora, todas as cicatrizes acumuladas durante a vida – e apenas recordações felizes para confortá-los. Mesmo assim, cantávamos e aplaudíamos.

Foi então que percebi que a música é um presente que pode ser igualmente compartilhado. Seja ela criada por nós ou simplesmente ouvida, é uma dádiva que tem o dom de nos confortar, inspirar e unir quando mais precisamos – e menos esperamos – dela.

O mundo atual está coberto por campos de batalha – alguns reais, outros sociais, emocionais ou espirituais. Certamente, todos conhecemos pessoas que passam por sofrimento ou desespero com a perda de seus bens, com doenças ou solidão. Quando Vedran Smailovic presenciou a necessidade extrema dos que se encontravam ao lado de fora de sua janela, ele deixou a segurança de sua casa e resolveu doar o que tinha de melhor. Para ele, isso significava tocar música. Todos nós temos coisas que fazemos melhor, que são nosso maior talento, por mais insignificantes que possam parecer. Algumas pessoas têm mais capacidade para ouvir; outras, para entreter ou espelhar alegria; outras, ainda para aconselhar. Sejam quais forem os nossos talentos ou especialidade, nossas vidas sempre se enriquecerão de significado quando compartilharmos o que temos de melhor – nossas singularidades – com os outros.

*Fotografia acima de Vedran Smailovic tocando no prédio destruído da Biblioteca Nacional de Saravejo em 1992. By Mikhail Evstafiev.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Antônio Meneses, O cara!

Olá pessoal, o Violoncelos de Maceió tem o prazer em comentar sobre a participação do melhor violoncelista do mundo no momento nessa noite dia 26 de Outubro de 2010 no Programa do Jô da Rede Globo, o nosso querido e admirado violoncelista pernambucano, Antônio Meneses. Tocou com sua mais nova aquisição, um Violoncelo de um Luthier alemão, algumas peças de Bach, Haydn, Beethoven, Villa-Lobos, entre outros.

Leia, também, uma publicação da revista Veja sobre o músico brasileiro.

"O violoncelista pernambucano Antonio Meneses, de 44 anos, é um fenômeno da música clássica mundial. Trata-se de um dos dois brasileiros que pertencem de fato ao primeiro time do gênero – o outro é o pianista mineiro Nelson Freire. Meneses faz oitenta apresentações anuais, seja como solista de orquestra (a convite de regentes consagrados como Claudio Abbado e sir Simon Rattle), seja como integrante do conjunto de câmara Beaux Arts Trio. Embora viva há mais de vinte anos no exterior, entre os Estados Unidos e países da Europa, tem voltado ao Brasil com freqüência para se apresentar. Na semana passada, tocou peças de Richard Strauss e Camargo Guarnieri para o público paulistano, ao lado da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. No início de maio, será a vez de os cariocas conferirem seu dueto com a pianista baiana Cristina Ortiz. Pelo respeito de que desfruta, Meneses poderia facilmente assumir ares de prima-dona. Nada mais distante de seu estilo, contudo. Ao lado do talento musical, a discrição é por certo o seu traço mais evidente.

Antonio Milena
Meneses: seu patrimônio é composto de dois violoncelos. Juntos, eles valem 1,3 milhão de dólares


Ao contrário da maioria dos músicos eruditos, Meneses não alardeia seu talento e não freqüenta festas badaladas. Outro indício dessa discrição é o modo como ele fala sobre sua parceria com Cristina Ortiz. Nos anos 80, eles tocaram juntos com grande freqüência. A química era tão intensa ("Um sabia quando o outro ia respirar", lembra Cristina) que não demoraram a surgir boatos sobre um namoro. O dueto teve de se desfazer em 1988, por pressão da mulher de Meneses, a pianista filipina Cecile Licad. Ao assistir pela primeira vez a uma apresentação dos dois, Cecile enfureceu-se ao verificar que a harmonia entre eles, como já diziam as más-línguas, de fato transcendia o ambiente das salas de concerto. Até hoje, Meneses nega veementemente que tenha havido um caso entre ele e sua parceira. Cristina Ortiz é menos peremptória. "A separação me machucou e doeu por muito tempo", diz ela. Em meados dos anos 90, Meneses e Cecile Licad decidiram divorciar-se. Eles têm um filho, Otavio, cujo nome foi tirado de um personagem da ópera Don Giovanni, de Mozart. O divórcio abriu caminho para que a parceria com Cristina Ortiz se reconstituísse. "Ele me ligou, dizendo que havia perdido tempo demais e queria voltar. No que eu respondi: 'Depende. Se você estiver casado com outra pianista oriental, estou fora' ", brinca Cristina."

Fonte: http://veja.abril.com.br/170402/p_122.html

Acesse o site oficial do violoncelista: http://www.antoniomeneses.com

Bom acesso para você! Uma boa dica é adquirir sua discografia.